quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A Religião nos Limites da Simples Razão







PRÓLOGO À PRIMEIRA EDIÇÃO

A Moral,enquanto fundada no conceito do homem como um ser livre que, justamente por isso, se vincula a si mesmo pela razão a leis incondicionadas, não precisa nem da ideia de outro ser a cima do homem para conhecer o seu dever, nemde outromóbildiferentedaprópriale iparaoobservar.,Pel o menoséculpasuas eneles eencontraumatalnecessidadea quepornadamaiss epodeentãoprestarauxílio;porqueoque  não procededelemesmoedasualiberdadenãofaculta compensaçãoalgumaparaadeficiênciadasuamoralidade.-Porconseguinte,aMoral,emproldes iprópria(tantoobjecti-vamente,notocanteaoquerer,comosubjectivamente,noque 
dizrespeitoaopoder),denenhummodoprecisadareligião, 
masbasta-seas iprópriae mvirtudedarazãopuraprática.-Comefeito,vistoqueassuaslei sobrigampelameraformada 
legalidadeuniversaldasmáximasquehão-deassumir-sede acordocomela-comocondiçãosuprema(tambémesta incondicionada)detodososfins ,aMoralnãonecessitaem 
geraldenenhumoutrofundamentomaterialdedeterminação dolivr earbítrio
1,istoé,denenhumfim ,nemparareconhece r 1
Aquelesaquemofundamentodedeterminaçãosomenteforma l(da legalidade )emgeralnoconceitododevernãosatisfa zcomotalfundament o admitem,noentanto,queestenãopodeencontrar-senoamorasimesmo,o qualsereg epeloprópriobem-estarjRestam,pois,entãoapenasdois fundamentosdedeterminação;um,queéracional,aprópriaperfeição,e 1 1 
oquesej adever,nemaindaparaimpeliraqueel es elev ea cabo;maspodeeatédeve,quandos etratadedever,abstrair detodososfins.Assim,porexemplo,parasabers edevo(ou 
tambémposso)serveraznomeutestemunhoperanteo tribunal,ouse rlea lnareclamaçãodeumbemalheioamim confiado,não énecessáriaabuscadeumfimqueeu,por-ventura,naminhadeclaração,pudessedecidirdeantemãovir 
paramimaconseguir,poisnãointeressas eédeumoude 
outrotipo;pelocontrário,quem,aoser-lhepedidalegitima -menteasuadeclaração,achaaindanecessáriobuscarumfim 
qualqueréjánissoumindigno. 
MasemboraaMoralnãoprecise,emproldes iprópria,de 
nenhumarepresentaçãodefimquetivess edeprecedera 
determinaçãodavontade,podese rquemesmoassimtenha 
umareferênci anecessáriaaumtalfim,asaber,nãocomoao 
fundamento,mascomoàsnecessáriasconsequênciasdas 
máximasquesãoadoptadase mconformidadecomasleis .-Poisse mqualquerrelaçãodefimnãopodeterlugarno 
homemnenhumadeterminaçãodavontade,jáquetaldeter-minaçãonãopodedar-sese malgumefeito,cuj arepresenta-çãote mdes epoderadmitir,s enãocomofundamentode 
determinaçãodoarbítrioecomofimprévionopropósito, 
decertocomoconsequênciadadeterminaçãodoarbítriopela 
le ie mordemaumfim(finisinconsequentiamveniens);se m 
este,umarbítrioquenãoacrescentenopensamentoàacção 
intentadaalgumobjectodeterminadoobjectivaousubjecti-vamente(objectoqueel ete moudeveriater),sabeporventura 
como,masnãoparaondetemdeagir,nãopodebastar-seas i 
outro,queéempírico,afelicidadealheia.-Orasepelaprimeiranão 
entendemjáaperfeiçãomoral,quesópodese ruma(asaber,umavontade 
queobedeceincondicionalment eàlei) ,casoemqueexplicariamemcirculo, 
deveriamreferir-s eàperfeiçãonaturaldohomem,enquantoelaésusceptível 
deumaelevação,edaqualmuitopodehaver(comodexteridadenasartese 
nasciências,gosto,agilidadedocorpoequejandos).Masistoébomsempre 
demodocondicionado,ouseja ,apenassobacondiçãodequeose uusonão 
estejae mconflitocomale imoral(aúnicaqueincondicionalment eordena); 
porconseguinte,estaperfeição,postacomofim ,nãopodese rprincipiodos 
conceitosdedever.Omesmoseaplicaigualment eaofi mdirigidoà 
felicidad edeoutroshomens.Comefeito,umaacçãodeveprimeiro 
ponderar-seems imesmasegundoale imoral,antesdes edirigirà 
felicidad edeoutros.Fomentarestafelicidad eé,pois,deversódemodo 
condicionadoenãopodeservirdeprincípiosupremodemáximasmorais. 
1 2 
mesmo.PeloquenãoénecessárioàMoral,e mordemaorecto 
agir,fi malgum,masbasta-lheale iquecontémacondição 
formaldousodaliberdadee mgeral.DaMoral,porém, 
promanaumfim;poisnãopodese rindiferent eàrazãodeque 
modopoderáocorrerarespostaàquestão«queresultarádeste 
nossorectoagir»,eparaque-nasuposiçãodequetalnão 
estivessedetodoe mnossopoder-poderíamosdirigircomo 
paraumfim onossofaze redeixardemaneiraacomel epelo 
menosconcordar.Éapenasumaidei adeumobjectoque 
contémems iacondiçãoformaldetodososfins,comoos 
devemoster(odever),eaomesmotempotodoocondi-cionadocomel econcordantedetodososfinsquetemos(a 
felicidad eadequadaàobservânciadodever),ous,eja ,aidei a 
deumbemsupremonomundo,paracuj apossibilidade 
devemossuporumsersuperior,moral,santíssimoe 
omnipotente,oúnicoquepodeunirosdoiselementosdesse 
bemsupremo;masestaideia(consideradapraticamente)não 
évazia,porquealiviaanossanaturalnecessidadedepensar 
umfi multimoqualquerquepossase rjustificadopelarazão 
paratodoonossofaze redeixartomadonose utodo, 
necessidadequeseria,aliás,umobstáculoparaadecisão 
moral.Mas,oqueaquiéoprincipal,ta lidei aderivadamoral 
enãoconstituiose ufundamento;éumfi mcuj aautoproposta 
pressupõejáprincípiosmorais.Nãopode,pois,se rindiferent e 
àmoralqueelaform eounãoparas ioconceitodeumfim 
últimodetodasascoisas(concordarase urespeitonão 
aumentaonumerodosseu sdeveres,masproporciona-lhes, 
noentanto,umparticularpontodereferênci adauniãode 
todososfins) ;sóassims epodeproporcionarrealidade 
objectivapráticaàcombinaçãodafinalidadepelaUberdade 
comafinalidadedanatureza,combinaçãodequenão 
podemosprescindir.Supondeumhomemqueveneraale i 
moraleaquemocorre(cois aquedificilmenteconsegueiludir) 
pensarquemundoele,guiadopelarazãoprática,criarias e 
estivesseemse upoder,edecertodemaneiraqueelepróprios e 
situassenessemundocomomembro;nãosóelegeria 
precisamentetalcomoimplicaaideiamoraldobem 
supremo,s elhefoss esimplesmenteconfiadaaeleição,mas 
tambémquereriaqueummundoemgeralexistisse,poisale i 
moralquerques erealiz epormeiodenósomaiselevadobem 
possível;[ eassimquereria]embora,segundoessaideia,s evej a 
e mperigodeperdermuitoemfelicidad eparaasuapessoa, 
1 3 
porqueépossívelqueel etalve znãopossaajustar-seà 
exigênci adafelicidade ,exigênciaquearazãopõecomo 
condição;porconseguinte,el esentir-se-iaobrigadopelarazão 
areconheceraomesmotempocomoseuestejuízo, 
pronunciadodemodototalmenteimparcial,comos efora 
porumestranho;ohomemmostraassimanecessidade,nele 
moralmenteoperada,depensaraindaemrelaçãocomosseu s 
deveresumfi múltimocomoresultadoseu. 
Amoralconduz,pois,inevitavelment eàreligião,pelaqual 
s eestende
2
,foradohomem,àideiadeumlegislado rmoral 
poderoso,emcuj avontadeéfi múltimo(dacriaçãodo 
mundo)oqueaomesmotempopodeêdevese rofi múltimo 
dohomem. 
2
S eaproposição«HáumDeus»,porconseguinte,«Háumbem 
supremonomundo»tive r(com oproposiçãodefé )deprovirsomenteda 
moral,éumaproposiçãosintéticaapriorique,emboras eaceiteapenasna 
referênci aprática,vaialémdoconceitododeverqueamoralcontém( eque 
nãopressupõenenhumamatériadoarbítrio,massomentelei sformaissuas) 
e,portanto,nãopodedesenvolver-seapartirdamoral.Mascomoépossível 
semelhanteproposiçãoapriori?Aconsonânciacomasimple sidei adeum 
legislado rmoraldetodososhomensé,decerto,idêntic aaoconceitomoral 
dedeveremgeral,eassimaproposiçãoqueordenatalconsonânciaseria 
analítica.Masaaceitaçãodaexistênciadeumobjectodizmaisdoqueasua 
merapossibilidade.Achaveparaasoluçãodesteproblema,tantoquantoa 
julgodiscernir,sóapossoaquiindicar,se madesenvolver. 
Fimésempr eoobjectodeumainclinação,i.e.,deumapetiteimediato 
paraapossedeumacoisapormeiodasuaacção;assimcomoalei(que 
ordenapraticamente)éumobjectodorespeito.Umfimobjectivo(i.e.,oque 
devemoster)éaquelequenosédadocomotalpelasimple srazão.Ofimque 
contémacondiçãoiniludíve le,aomesmotempo,suficient edetodosos 
outroséofimúltimo.Afelicidad eprópriaéofimúltimosubjectiv odeseres 
racionaisdomundo(fi mquecadaumdelestememvirtudedasuanatureza 
dependentedeobjectossensíveis ,edoqualseriaabsurdodizer:quesedeve 
ter),etodasasproposiçõespráticas,quetê mcomofundamentoestefim 
últimosãosintéticas,masaomesmotempoempíricas.Masquetodos 
devamfaze rparas idosupremobempossívelnomundoofimúltimo-eis 
umaproposiçãopráticasintéticaa-priorie,decerto,umaproposição 
objectivo-práticadadapormeiodapurarazão,porqueéumaproposição 
quevaimaisalémdoconceitodosdeveresnomundoeacrescentauma 
consequênciasua(umefeito)quenãoestácontidonaslei smoraise, 
portanto,nãopodedesenvolver-seanaliticamenteapartirdelas.Defacto, 
estaslei sordenamabsolutamente,sej aqualfo rose uresultado,maisainda, 
obrigamatéadeleabstrairtotalmente,quandos etratadeumaacção 
particular;e,pori$so ,faze mdodeveroobjectodomaiorrespeito,se mnos 
apresentareproporumfi m( efimúltimo),queteriaporventurade 
constituirarecomendaçãodelaseomóbilparacumprironossodever. 
1 4 
*** 
S eaMoral,nasantidadedasualei,reconheceumobjecto 
domaiorrespeito,então,aoníveldareligião,nacausa 
supremaquecumpreessasleis,propõeumobjectode 
adoração,eaparecenasuamajestade.Mastudo,atéomais 
sublime,s edegradanasmãosdoshomens,quandoestes 
empregamparausoseuaideiadaquele.Oquesó 
verdadeiramentes epodevenerarnamedidae mqueélivr e 
orespeitoparacomel eéobrigadoasubmeter-seaformasàs 
quaissós epodeproporcionarprestígiomediantelei s 
coercivas,eoquepors imesmos eexpõeàcríticapública 
detodoohomemte mdesujeitar-seaumacríticaquepossui 
força,ouseja,aumacensura. 
Todososhomenspoderiamcomistoterbastante,s e(comodeviam)s e 
ativessemunicamenteàprescriçãodarazãopuranalei.Quenecessidade 
tê mdesaberoresultadodose ufaze redeixarmoral,queocursodomundo 
suscitará?Paraele sésuficient equefaça mose udever;mesmoquecoma 
vidaterrenatudoacabasseenesta,porventura,jamaiscoincidissem 
felicidad eedignidade.Oraumadaslimitaçõe sinevitávei sdohomemeda 
suafaculdad eracionalprática(talve zigualment edetodososoutrossere sdo 
mundo)ébuscare mtodasasacçõesose uresultadoparanesteencontrar 
algaquelh epudesseservi rdefi medemonstrartambémapurezadose u 
propósito,fi mqueé,se mdúvida,oúltimonaexecução(nexueffectivo), 
masoprimeironarepresentaçãoenopropósito(nexufinali).Orabem, 
nestefim ,emboralh esej apropostopelasimple srazão,ohomembuscaalgo 
quepossaamar;porisso,alei ,quesóinspirareverência,emboranão 
reconheçaaquelecomonecessidade,estende-seemvistadeleaoacolhimento 
dofimúltimomoraldarazãoentreosseusfundamentosdedeterminação, 
ouseja ,aproposição«fa zdosumobempossívelnomundooteufim 
último»éumaproposiçãosintéticaapriori,queéintroduzidapelaprópria 
le imoralepelaqual,noentanto,arazãopráticas eestendeparaládesta 
última;talépossívelemvirtudedeale isereferi ràpropriedadenaturaldo 
homemdeterdepensarparatodasasacções,alémdalei ,aindaumfi m 
(propriedadedohomemquefa zdeleumobjectodaexperiência),e(comoas 
proposiçõesteoréticase,aomesmotempo,sintéticasapriori)ésópossível 
poreleconteroprincípioaprioridoconhecimentodosfundamentosde 
determinaçãodeumlivr earbítrionaexperiênciae mgeral,enquantoesta, 
queapresentaosefeitosdamoralidadenosseu sfins ,subministraao 
conceitodamoralidade,comocausalidadenomundo,realidadeobjectiva, 
emborasomenteprática.-Orabem,seamaisestritaobservânciadaslei s 
moraissedevepensarcomocausadaproduçãodobemsupremo(com ofi m 
),então,vistoqueacapacidadehumananãochegaparatornarefectiv ano 
mundoafelicidad eemconsonânciacomadignidadedese rfeliz ,háque 
aceitarumse rmoralomnipotentecomosoberanodomundo,sobcuj a 
providênciaistoacontece,i.e.,amoralconduzinevitavelment eàreligião. 
1 5 
Noentanto,vistoqueomandamento-obedeceà 
autoridade!-tambémémoral,easuaobservância,tal 
comoadetodososdeveres,s epodereferi ràreligião,fic abem 
aumtratadoqueestádedicadoaoconceitodeterminado 
destaúltimafornece relepróprioumexemplodesemelhante 
obediência,aqual,porém,nãodeveserdemonstradasópela 
atençãoàle ideumaúnicaordenançadoEstado,e 
permanecercegoemrelaçãoatodasasoutras,massópelo 
respeitoconjuntoportodaselasreunidas.Orabem,oteólogo 
quepronunciaumjuízosobrelivrosoupodeestaremtal 
lugarcomoalguémquevelasimplesmentepelasalvaçãodas 
almas,ouaindacomoquemdeveaomesmotempoocupar-se 
dasalvaçãodasciências;oprimeirojuizsócomoeclesiástico, 
osegundosimultaneamentecomoerudito.Aoúltimo,como 
membrodeumainstituiçãopúblicaàqual(sobonomede 
Universidade)estãoconfiadastodasasciênciasparaose u 
cultivoepreservaçãocontrapreconceitos,incumbe-lhe 
restringiraspretensõesdoprimeiroàcondiçãodequeasua 
censuranãocausequalquerperturbaçãonocampodas 
ciências;es eambossãoteólogosbíblicos,acensurasuperior 
caberáentãoaoultimocomomembrouniversitáriodaquela 
Faculdadequefo iencarregadadetratardestateologia;pois, 
notocanteaoprimeiroassunto(asalvaçãodasalmas),ambos 
têmigua lmissão;mas,quantoaosegundo(asalvaçãodas 
ciências),oteólogocomosábiouniversitáriote maindade 
desempenharumafunçã oespecial.S es eabandonaestaregra, 
entãoir-se-á ,porfim ,desembocarnecessariamentenoponto 
emquej ánoutrotempos eesteve(porexemplo,naépocade 
Galileu),asaber:queoteólogobíblico,parahumilharo 
orgulhodasciênciases epouparaoesforçodelas,permita 
as imesmoincursõesnaAstronomiaounoutrasciências,por 
exemplo,ahistóriaantigadaterra,e-comoaqueles 
povosquenãoencontrarame ms imesmoscapacidadeou 
seriedadesuficient eparas edefendercontraataquesperigosos 
transformamemdesertotudooqueosrodeia-esteja 
autorizadoaembargartodososintentosdoentendimento 
humano. 
Mas,nocampodasciências,contrapõe-seàteologia 
bíblicaumateologiafilosófica,queéobemconfiadoaoutra 
Faculdade.Esta,contantoquepermaneçaapenasdentrodos 
limite sil amerarazãoeutilizeparaconfirmaçãoeelucidação 
dassuastese sahistória,aslínguas,oslivro sdetodosos 
1 6 
povos,inclusiv eaBíblia,massóparasi,se mintroduzirtais 
proposiçõesnateologiabíblicaese mpretenderalterarosseu s 
ensinamentospúblicos,paraoqueoeclesiásticodetémo 
privilégio,deveterplenaliberdadeparas eestenderatéonde 
chegueasuaciência;eembora,quandos econfirmouqueo 
primeiroultrapassouefectivamenteassuasfronteirases e 
intrometeunateologiabíblica,nãopossaconstestar-seao 
teólogo(consideradosimplesmentecomoeclesiástico)o 
direitoàcensura,contudo,enquantoaintromissãoestá 
aindae mdúvidae,porconseguinte,surgeaquestãodes e 
aquelatev elugarpormeiodeumescritoououtraexposição 
públicadofilósofo ,cabeacensurasuperiorsomenteao 
teólogobíblicocomomembrodasuaFaculdade,poisesteestá 
encarregadodecuidartambémdosegundointeresseda 
comunidade,asaber,oflorescimentodasciências,eestáno 
se upostotãovalidamentecomooprimeiro. 
Edecertocorresponde,nestecaso,acensuraprimeiraà 
Faculdadeteológica,nãoàfilosófica;poissóaquelate m 
privilégionotocanteacertasdoutrinas,aopassoqueesta 
exerc ecomassuasumtráficoabertoelivre ;porisso,só 
aquelas epodequeixarporterhavidoumaviolaçãodose u 
direitoexclusivo.Masumadúvidaapropósitodaintromis-sãoéfáci ldeevitar,nãoobstanteaproximidadedasduas 
doutrinasnasuatotalidadeeotemordeultrapassaros 
limite sporpartedateologiafilosófica,s es econsiderar 
apenasquesemelhantedesordemnãoacontecee mvirtudede 
ofilósofoirbuscaralgoàteologiabíblicaparaoutilizar 
segundooseupropósito(poisaúltimanãonegaráqueela 
própriacontémmuitoe mcomumcomasdoutrinasdamera 
razãoe,alémdisso,muitoselementospertencentesàhistória 
ouaoconhecimentodaslínguaseconvenientesparaasua 
censura),aindanocasodeutilizaroqueaelavaibuscar 
numaacepçãoconformeàsimple srazão,mastalveznão 
aprazívelàteologiabíblica;adesordemsótemlugarquando 
eleintroduzalgonestateologiaepretendeassimdirigi-lapara 
outrosfinsdiversosdosquelhepermiteasuaorganização.-Nãopode,pois,dizer-se,porexemplo,queoprofessorde 
Direitonatural,aoirbuscaraocódigodosRomanos,paraa 
suadoutrinafilosóficadodireito,muitasexpressõese 
fórmulasclássicas,lev eacabonesteumaintromissão, 
inclusiv es e-comomuitasveze sacontece-nãos eserv e 
delasexactamentenomesmosentidoemqueteriadeas 
1 7 
tomarsegundoosintérpretesdoDireitoRomano,contanto 
quenãopretendaqueosgenuínosjuristasouatéostribunais 
asdevamassimtambémutilizar.Poiss etalnãofoss edasua 
competência,poder-se-iatambém,inversamente,culparos 
teólogosbíblicosouosjuristasestatutáriosdecometer 
inumerávei sintromissõesnosdomíniosdafilosofia ,pois 
unseoutros,vistoquenãopodemprescindirdarazãoe-ondes etratadaciência-dafilosofia ,aeladevemir 
muitíssimasveze spediralgodeempréstimo,s ebemque 
apenase mproveitoseu.Masse,nocasodoteólogobíblico, 
s eatendesseanãoternadaaver-quantopossível-coma 
razãonascoisasdareligião,facilment es epodepreverdeque 
ladoestariaaperda;comefeito,umareligiãoque,se m 
hesitações,declaraaguerraàrazãonãos eaguentará, 
durantemuitotempo,contraela.-Inclusivearrisco-mea 
propors enãoseriabom,apósocumprimentodainstrução 
académicanateologiabíblica,acrescentarsemprepara 
conclusão,comonecessárioparaocompletoequipamento 
docandidato,umcursoespecialsobreapuradoutrina 
filosóficadareligião(queutilizatudo,inclusiv eaBíblia), 
segundoumfi ocondutorcomo,porexemplo,estelivro(ou 
tambémoutro,s es econseguirdispordeoutromelhorda 
mesmaíndole).-Poisasciênciasavançamsómediantea 
separação,namedidae mquecadaqualconstituiprimeiro 
pors iumtodo,esóentãos eempreendecomelasatentativa 
deasconsideraremunião.Oteólogobíblicopodeassimestar 
deacordocomofilósof ooucrerqueodeverefutar;se, 
contudo,oescutar.Comefeito,sódestemodopodeeleestar 
deantemãoarmadocontratodasasdificuldadesqueo 
filósof olhevieraapresentar.Masocultá-las,inclusiv e 
boicotá-lascomoímpias,éumrecursomiserávelquenão 
convence;misturarosdoiscampose,porpartedoteólogo 
bíblico,lançar-lhessóocasionalmenteumolharfurtivoéuma 
faltadesolidez,comaqualninguém,emúltimaanálise,sabe 
bememquesituaçãos eencontranotocanteàdoutrina 
religiosanasuatotalidade. 
Dosquatrotratadosseguintes-nosquais,paratornar 
manifestaarelaçãodareligiãocomanaturezahumana, 
sujeit aemparteadisposiçõesboaseemparteadisposições 
más,representoarelaçãodoprincípiobomedomaucomo 
umarelaçãodeduascausasoperantespors isubsistenteseque 
influe mnohomem-oprimeirofo ij áinseridonaRevista 
1 8 
MensaldeBerlim(Abril1792) ;masnãopodiaficardelado 
porcausadaexactaconexãodasmatériasdesteescritoque 
contémnostrêstratados,agoraacrescentados,opleno 
desenvolvimentodoprimeiro. 
1 9 

Nenhum comentário:

Postar um comentário